sexta-feira, 10 de abril de 2015

NINHO VAZIO

Certa vez ouvi alguém falar sobre a Síndrome do Ninho Vazio, se referindo ao tempo natural em que um casal vê os filhos indo embora de casa para fazer suas próprias vidas, mesmo que não forem muito longe. Pai e mãe ficam com a sensação de casa "vazia", como pássaros cujos filhotes já sabem voar sozinhos, deixando para trás o ninho onde nasceram e cresceram. Esse sentimento de casa vazia invade cada cantinho do coração e, às vezes, não se sabe o que fazer com ele. Tem ninhos que ficam vazios quase de repente, outros de pouco a pouco, mas o sentimento de perda é o mesmo. O coração dói, a alma geme, mas é inevitável. O elo entre pais e filhos é muito forte. Quando esse elo é quebrado, o estrago é grande. Mesmo quando ele permanece intacto, a distância, a saudade, o vazio e a perda da presença dos filhos são sentimentos que também causam certo estrago na alma se não soubermos ou não procurarmos lidar corretamente com eles. Nosso "ninho" começou a ficar vazio lentamente. Ainda estamos no processo. Porém, já podemos identificar e experimentar certos gritos da alma por um coração que dói; são muitas lembranças, sonhos, expectativas, desafios, alegrias e tristezas vividos juntos. Mas, os filhos precisam ir, sair, voar! Não podemos reter, prender, dificultar seu voo, rumo ao propósito pelo qual foram criados. Até então, nem percebíamos o quanto são parte de nós mesmos. E, de repente, essa "parte de nós mesmos" começa a ir-se, desprender-se, ser independente; tem seu próprio caminho na vida, preparado pelo Criador e Pai. Mas, o vazio fica, e precisamos lidar com ele, mesmo na difícil luta entre a razão e o coração. Aí está o dilema! A razão entende que os filhos são do Senhor, não são propriedade nossa. O coração não entende, ele quer permanecer junto, não quer soltar, desprender-se, renunciar. Normalmente, temos medo do vazio. Precisamos enfrentá-lo cada vez que um filho vai embora. Ele vai fazer sua própria história com Deus, como nós já fizemos a nossa. Quando vencemos o dilema entre razão e coração, e aceitamos o vazio e a dor da perda, procurando lidar corretamente com eles, então vem a paz e o consolo. A alma se aquieta e o coração se acalma, pois finalmente estão entrando em acordo e harmonia com o propósito eterno dAquele que assim estabeleceu a ordem natural das coisas. Ficamos livres para liberar, apoiar e abençoar nossos filhos na sua própria trajetória de vida, para que prosperem em tudo o que Deus (e não nós!) planificou para eles. Quando realmente chegamos a realmente entender e viver a realidade de que os filhos são herança do Senhor (e não nossa!) começamos a experimentar Sua graça consoladora que cura o coração partido e aquieta a alma ferida. O vazio já não fica tão vazio! Vai ficando repleto da satisfação de se estar cumprindo um propósito eterno, maior que nós mesmos, maior que nossa limitada visão. Um propósito que envolve gerações. Satisfação de saber que nossos filhos são livres para alcançar o melhor de Deus para suas vidas, e que seguramente voarão mais alto e mais longe que nós. Enquanto isso, nós pais, precisamos seguir nossa própria história com Deus. Ela necessita continuar, ser concluída e terminar bem. Renunciar os filhos, deixá-los livres para fazer sua própria história com Deus faz parte de nossa própria história e é  uma expressão do amor que temos por eles. Faz parte do privilégio de ser pais!