domingo, 2 de fevereiro de 2014

RAIZ DE ETERNIDADE

Depois de umas férias inesquecíveis, com a família inteira reunida, desfrutando do mar, sol, tempos de comunhão e muita alegria, o estar de volta em casa e retomar a rotina faz a gente experimentar sentimentos diversos. Ainda mais, quando temos que despedir parte da família que vai embora para também retomar sua rotina lá longe. É gostoso estar de volta na casa da gente, o "lar, doce lar". Mas, também foi tão bom o tempo de férias em família num lugar diferente! E fica o desejo de que esses 10 dias durassem para sempre! Parece que um pequeno vazio vai surgindo, um sentimento de perda, que aumenta depois de uma despedida. É então que o coração não sabe o que fazer com tantos e desencontrados sentimentos: alegria e gratidão pelo tempo passado juntos, perda, saudade, vazio, compromissos, responsabilidades, horários... e aquele escondido e forte desejo de que o tempo em família não terminasse e que as despedidas não existissem. Isso é normal... mas, de onde vem esse desejo? Porque é tão forte, insistente e profundo? Porque faz a gente ficar meio "perdido", sem "rumo", com dificuldade de retomar a tal da rotina, tão necessária e inevitável? Pensando e pensando sobre isso foi que comecei a perceber o porquê desses sentimentos que apertam o coração e tocam nossas estruturas emocionais. É algo que chamo "raiz de eternidade". Nós, seres humanos, fomos criados para sermos eternos, e tudo que é bom também deveria durar para sempre. Esse foi o propósito inicial do coração de Deus, o Pai Eterno. Tristemente houve o terrível momento do "desajuste", e tudo nesse planeta se tornou temporário, passageiro... mas, ficou dentro de nós a raiz de eternidade, aquele constante, permanente e insistente desejo de que tudo o que é bom dure para sempre. E cada vez que experimentamos algo bom corremos o risco de nos prender a essa experiencia, querendo eternizá-la. Sabemos que devemos seguir em frente, mas o coração fica olhando para trás, na esperança de reviver aquilo que deveria ser eterno. Por isso, o vazio, a sensação de perda... A raiz de eternidade dentro de nós não nos deixa conformar-nos com o temporário que somos obrigados a viver enquanto estamos nessa terra. Se aprendermos a lidar com a realidade dessas duas dimensões - o eterno e o temporário - entendendo a raiz que levamos na alma, então certamente a perda vai doer menos, o vazio não será tão vazio, e teremos mais forças para fazer o coração voltar a olhar em frente. Se soubermos nos relacionar bem com essa raiz de eternidade conservaremos a esperança renovada, conscientes do propósito pelo qual fomos criados. Lembrando cada dia que tudo nessa vida é temporário, mas nós somos eternos. O "reajuste" já aconteceu, "está consumado". Tudo vai voltar a se encaixar, a funcionar como deveria, não haverá mais perdas nem despedidas. Tudo que é bom não vai passar. Essa verdade é o bálsamo que dá alívio ao coração cada vez que sofre os efeitos da vida temporária ao mesmo tempo que carrega dentro dele a raiz de eternidade. Assim, podemos seguir em frente, como "vendo o Invisível", vivendo o eterno dentro do temporário, até chegar de volta às nossas origens - a morada ETERNA que Jesus foi preparar. E bem disse o rei Salomão: "Deus fez tudo lindo no seu devido tempo, e também pôs eternidade no coração do ser humano..." (Eclesiastes 3:11).