domingo, 3 de agosto de 2014

ALÉM DAS NUVENS


                                                                                                                                                                Certa vez, subi num avião para uma viajem de 3 horas e meia entre a Patagônia e Terra do Fogo, na Argentina. O dia estava deprimente, céu totalmente nublado, chuva fina, brisa fria. Minutinhos depois de decolar, o avião ultrapassou as nuvens e foi chocante a mudança instantânea da paisagem diante de meus olhos. Um espetáculo que nunca mais esqueci, mesmo depois de 35 anos passados. Olhando abaixo, aquele infinito colchão de nuvens, branco como neve. Acima, o céu azul sem fim, e o sol brilhando em todo seu esplendor. Repetidas vezes na vida, essa experiencia me faz lembrar que "do outro lado das nuvens o sol está sempre brilhando". Tantas vezes aparecem "nuvens" que deixam totalmente distorcida a visão que tenho da vida, e tornam meu ânimo cinzento e frio. Essas "nuvens" podem ser circunstâncias, sentimentos, dificuldades, limitações, cansaço, etc. É nesses momentos que mais lembro daquele dia. Sempre esperando que as nuvens vão embora, que o Sol da Justiça brilhe e eu possa ver novamente o esplendor da Vida. E muitas vezes isso aconteceu. Deus, o Pai amoroso, soprou as nuvens, o Sol voltou a brilhar e minha visão da vida foi restaurada. Até que um dia desses, percebi algo que nunca havia pensado. Quando as "nuvens" estão nublando minha vida, há uma escolha que posso fazer: esperar até que as nuvens se abram e o Sol da Justiça me alcance, ou deixar que Ele me leve além das nuvens, onde o esplendor é maior e o horizonte é infinito. O sol, de uma forma ou outra, sempre volta a brilhar. Na primeira opção, tenho uma renovada visão do natural. Se escolho a segunda opção, posso ver o sobrenatural. A escolha é minha... Mas, não importa qual escolha eu fizer, uma certeza posso ter: as nuvens são passageiras, e o Sol da Justiça está sempre brilhando.